Minha irmã vai casar.
Sim, vou escrever sobre o título acima. Pra mim ela ainda é uma garotinha, em quem eu fazia penteados lindos antes de ir pra escola. Ela tinha mania de chorar por tudo, e nem sempre escolhia os melhores horários pra isso. E os motivos também variavam muito. Podia ser porque perdeu o elevador quando estava atrasada, porque o cartão do banco travou na loja, porque queimou a calça com o ferro. É uma grande chorona, mas uma grande pessoa.
E então eles escolheram fazer uma festa de noivado. Só pra família, coisa simples. O noivo, que é um cara simples e de muito bom gosto, fez quetão de lanchinho de carne louca. Nem preciso dizer que os outros, cheios de manha, sobraram pro café da manhã. O de carne louca, que todos rebatem dizendo ser brega e coisa de pobre... foram disputados a tapa. O bolo, muito gostoso, estava lindo. Não, não fui eu que fiz. E também não poderia, porque não sei fazer essas coisas chiques. Sou do povo, manja? Sei fazer coisas populares. O pão com carne louca, eu saberia.
As famílias foram apresentadas, e não teve tempo pra clima tenso. Logo estávamos todos de papo, tentando conhecer o mundo de alguém que estava entrando pra nossa família. E, claro, deixando com que eles levassem de nós as suas impressões também. E torcendo pra que fossem as melhores.
Foi tudo bem tradicional: pedido formal aos pais, troca de alianças, brinde na taça de cristal. Saímos todos felizes porque sabemos que nossa querida estará em ótimas mãos.
Missão cumprida, fioca. Agora que já fizemos bonito e todos pensam que somos pessoas chiques e elegantes... só esperar chegar novembro do ano que vem, pra enfiar os 2 pés na jaca de uma vez só, tomar aquele pileque e desfazer essa "má impressão".
Escrito por Mama Ferraz às 14h50
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