Acho que estou mesmo na fase baixa de ser bipolar. Aquela tristezinha sem explicação, uma vontadinha de chorar a toa. Ruim isso, eu pensei que já tivesse encontrado o equilibrio nesse papo de bipolaridade. Só quem vive esse negócio que é capaz de entender essa doideira. Ao mesmo tempo, dá um energia gostosinha vindo de dentro do coração, uma vontade louca de virar o jogo. Essa semana na terapia falei muito sobre meu passado, sobre as coisas que me machucam na vida. Pedi pra ela me receitar um remédio pra remorso. Ah... ia ser tão gostoso conseguir colocar a casa em ordem sem futucar no passado, sem relembrar momentos que marcaram a vida de maneira dura, injusta. Decidido o caminho, agora vou trilhar por ele. Como eu disse um dia, ainda vou ser bem sucedida. E todos vocês estarão lá para me aplaudir.
Escrito por Mama Ferraz às 19h21
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Acho que surtei de vez. Ando com medo da morte, com medo de perder as pessoas que amo. Já dei mil recomendações pro marido sobre o que fazer comigo. Coisas de gente louca, né? Isso já me custou uma sessão com a psicologa, claro. Sentada naquela cadeira mega confortável, chorava sem saber o que dizer. Como é duro assumir uma doideira! Enfim, percebi que tinha medo de sair da vida sem deixar aqui algo que realmente fizesse diferença. Já tive um filho, já plantei uma árvore. Agora só me falta mesmo escrever um livro. Vou fundo nisso.
A gente passa a vida deixando pra depois tantas coisas que poderiamos fazer hoje. Todos fazem isso. Eu já contei esse caso, mas uma vez protelei tanto ligar pra um amigo, contar pra ele sobre meu filho e minha vida. O vi num supermercado, mas não gastei ali cinco ou dez minutos para conversar com ele pessoalmente. Resolvi deixar pra ligar depois. Meu amigo morreu dias após esse encontro, e eu perdi a chance de contar a ele o quanto eu estava feliz com a família que eu tinha formado, o tanto que ele ia amar seu filho que já estava para nascer. A vida não espera a gente tomar decisões, diz o meu pai. Se vc não o faz, ela faz por você.
Por isso, queridos amigos, quero dizer do meu amor por vocês. O quanto cada um tem de valor em minha vida, mesmo que distantes, mesmo que afastados pelo tempo. Nessa vida conquistei a confiança de poucas pessoas, mas de valor incalculável pra mim. Cometi muitos erros, mas eles serviram pra me fazer amadurecer e olhar pra vida com mais cuidado. Trago comigo meu companheiro que eu escolhi pra essa vida, e pra todas as outras se isso for mesmo possível. Fui presenteada com a maternidade da maneira mais doce e mais deliciosa que uma mulher poderia ter. Tenho irmãs que eu amo abraçar, que eu amo estar perto. Tenho sobrinhos lindos, diretos ou indiretos, mas que eu amo da mesma maneira, de forma incondicional. Minha querida amiga Ana, que mesmo tão longe continua presente e participativa na minha vida, passando junto comigo por todos os momentos da vida desde a adolescencia. Juntas, rimos e choramos infinitas vezes, sofremos por amor, por saudade, pela nossa separação. Meu amigo irmão Marcio, a quem - junto com minha irmã - confiaria meu filho num dia de minha ausencia. O maior presente da vida é a oportunidade que temos de escolher as pessoas que estão a nossa volta, e valorizar cada amanhecer que temos o privilegio de presenciar.
Não, eu não vou morrer tão cedo, podem ficar tranquilos. Ainda há muito o que fazer nessa vida. Esperem pra ver!
Escrito por Mama Ferraz às 11h21
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